A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Mateus está marcada para o próximo dia 30 de junho, mas, ao contrário do que se espera de um processo político relevante para o município, as articulações acontecem longe dos olhos da população. Nos bastidores, a disputa tem sido marcada pelo silêncio e pelas negociações reservadas.
Segundo informações que circulam nos corredores da política mateense, o grupo dos seis vereadores alinhados ao prefeito Marcus Batista já teria definido um novo nome para comandar o Legislativo: a vereadora Isamara da Farmácia. A movimentação, no entanto, levanta uma curiosidade política que vem sendo comentada por lideranças e observadores locais.
A escolha de Isamara para a presidência teria um efeito colateral interessante: a possível desistência de sua pré-candidatura a deputada estadual. Coincidência ou não, a mudança acabaria abrindo espaço no cenário eleitoral para outros nomes ligados ao grupo político governista, entre eles o irmão do prefeito, que também é apontado como possível candidato.
Oficialmente ninguém confirma nada. Afinal, em São Mateus, quando o assunto é eleição da Mesa Diretora, transparência parece ser um artigo cada vez mais raro. O que se sabe é que o prefeito tem demonstrado interesse na manutenção de uma Câmara alinhada ao Executivo, preservando uma relação que, até aqui, tem funcionado sem grandes turbulências.
Nos últimos meses, os vereadores da base governista aprovaram praticamente todos os projetos encaminhados pelo Executivo, muitas vezes sem amplo debate público e, segundo críticos, em votações realizadas "no apagar das luzes". Diante desse cenário, a eventual eleição de Isamara poderia representar continuidade, não mudança.
Resta saber se a presidência da Câmara será apenas mais uma etapa da trajetória política da vereadora ou se acabará se tornando o destino final de um projeto que apontava para a Assembleia Legislativa. Na política, como se sabe, alguns sonhos são realizados. Outros, convenientemente substituídos.