O Carnaval de Vitória deste ano contará com uma participação histórica de São Mateus no desfile do Grupo Especial, no Sambão do Povo. Blocos independentes do município foram convidados a integrar o desfile das escolas de samba, levando a identidade cultural mateense para um dos maiores espetáculos populares do Espírito Santo.
Os blocos Blocotó, Tratrio Elétrico de Barra Nova, Bate Bosque e o Esboço de Bloquinho representarão São Mateus no desfile, participando do desfile apresentado no Sambão do Povo. A presença desses grupos simboliza o reconhecimento da força dos blocos de rua mateenses, que há anos mantêm viva a tradição carnavalesca na cidade.
De forma especial, os blocos independentes integrarão a ala dos Botocudos, que presta homenagem aos povos indígenas que habitavam a região do rio Cricaré. A ala valoriza a memória e a importância histórica dos indígenas na formação cultural do norte capixaba, reforçando o caráter de resistência, ancestralidade e identidade do carnaval.
A homenagem a São Mateus também ganha destaque no desfile da escola de samba Rosas de Ouro, que levará para a avenida um enredo dedicado ao município. A escola celebrará a história mateense, exaltando personagens marcantes e figuras importantes que contribuíram para o desenvolvimento cultural, social e histórico da cidade.
A participação dos blocos e a homenagem no Sambão do Povo marcam um momento significativo para São Mateus, colocando o município em evidência no maior palco do carnaval capixaba e reforçando a riqueza cultural que atravessa gerações.
Os Botocudos foram um povo da resistência. Habitando as matas densas do norte do Espírito Santo, às margens do Cricaré, enfrentaram com coragem a invasão de suas terras, a imposição de costumes e a tentativa de apagamento de sua cultura. A bravura que os registros coloniais tentaram rotular como ferocidade era, na verdade, defesa da vida, do território e da liberdade. Guerreiros por necessidade histórica, os Botocudos transformaram luta em identidade e deixaram como legado uma memória que ainda pulsa na formação do povo mateense, lembrando que resistir também é um ato de existência e dignidade.