A proposta de concessão à iniciativa privada de parques estaduais do Espírito Santo voltou a provocar críticas de moradores, ambientalistas, pesquisadores e representantes de comunidades tradicionais. Para os opositores, a medida representa um risco de restringir o acesso da população a áreas naturais, priorizando interesses econômicos em detrimento da preservação ambiental e do uso coletivo desses espaços.
Entre os principais nomes associados à defesa desse modelo está o ex-deputado federal Felipe Rigoni, que tem defendido a ampliação de concessões e parcerias com a iniciativa privada como forma de melhorar a gestão dos parques. No entanto, comunidades diretamente afetadas afirmam que a discussão tem ocorrido sem participação popular suficiente e sem o devido diálogo com quem vive e depende desses territórios.
Os críticos argumentam que, embora o discurso oficial seja de modernização da infraestrutura e fortalecimento do turismo, experiências semelhantes em outras regiões do país levantam preocupações sobre a cobrança de ingressos, limitação de acesso para moradores, mudanças na dinâmica econômica local e redução da autonomia das comunidades que historicamente convivem com essas áreas de preservação.
Outro ponto levantado é que parques estaduais cumprem uma função pública que vai além do turismo. Eles são instrumentos de conservação da biodiversidade, pesquisa científica, educação ambiental e preservação cultural. Na visão de lideranças locais, transferir a exploração de serviços para empresas privadas pode alterar as prioridades de gestão, colocando a rentabilidade acima do interesse público.
Representantes das comunidades também defendem que qualquer mudança na administração dessas unidades de conservação seja precedida de amplo debate público, com audiências, consultas transparentes e participação efetiva da sociedade civil, especialmente das populações diretamente impactadas.
Enquanto defensores das concessões sustentam que o modelo pode atrair investimentos e melhorar a estrutura oferecida aos visitantes, os opositores afirmam que o Estado não deve abrir mão da gestão de um patrimônio ambiental que pertence à população capixaba, cobrando investimentos públicos e fortalecimento dos órgãos ambientais em vez da transferência da administração para a iniciativa privada.
O debate permanece aberto e deve continuar mobilizando diferentes setores da sociedade capixaba à medida que o governo estadual avança com estudos e propostas relacionadas às concessões dos parques estaduais.